Visibilidade Trans: a luta por direitos, oportunidades e dignidade | Jornal Espírito Santo Notícias

Ativistas, pesquisadoras e lideranças trans destacam desafios e avanços na busca por inclusão e respeito

O Dia da Visibilidade Trans, celebrado hoje, 29 de janeiro, é mais do que uma data simbólica. Ele representa uma luta constante por respeito, reconhecimento e direitos para pessoas trans e travestis no Brasil. Apesar de avanços, desafios como a violência, a falta de oportunidades no mercado de trabalho e a exclusão social ainda são obstáculos diários para essa população. Para entender melhor essa realidade, o Espírito Santo Notícias conversou com três mulheres que atuam na linha de frente da luta por igualdade: Agatha Benks, Barbarah Brasil e Luciene Carla.

O significado da visibilidade trans

Para Agatha Benks, ativista dos direitos humanos e vice-presidente do Conselho Estadual LGBTQI+, o Dia da Visibilidade Trans é um momento de resistência e afirmação. “Essa data simboliza dignidade e a importância de dar voz às vivências trans, que muitas vezes são apagadas ou marginalizadas na sociedade”, afirma.

Barbarah Brasil, assistente social e diretora do Centro Sociocultural Omo Iyá Ejá, reforça que a visibilidade não é apenas sobre reconhecimento, mas também sobre luta e conquista. “Quanto mais falarmos sobre os problemas sociais que enfrentamos, mais abertura teremos para mudanças reais”, destaca.

Já Luciene Carla, doutoranda em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e criadora do podcast “Todas El@s”, vê a visibilidade como uma ferramenta de transformação. “A sociedade é educada para ser preconceituosa. Mas quando você escuta, entende e se aproxima, muitos preconceitos são desconstruídos”, pontua.

As dificuldades enfrentadas por pessoas trans no Brasil são diversas, mas algumas se destacam como os maiores obstáculos para a inclusão. Segundo Agatha Benks, os desafios mais urgentes são:

  • Violência e transfobia: O Brasil lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans no mundo.
  • Acesso ao mercado de trabalho: A falta de oportunidades leva muitas mulheres trans à informalidade e à prostituição.
  • Saúde e atendimento adequado: Apesar da oferta de atendimento pelo SUS, ainda há dificuldades na hormonização e suporte psicológico.
  • Evasão escolar: O preconceito nas escolas faz com que muitas pessoas trans abandonem os estudos.
  • Ausência de políticas públicas eficazes: Medidas ainda são insuficientes para garantir direitos e qualidade de vida.

Barbarah complementa que um dos maiores problemas é a falta de oportunidades. “Precisamos reparar tudo o que nos foi negado: escolaridade, capacitação e empregabilidade. Quando uma pessoa trans tem acesso ao mercado de trabalho, ela conquista dignidade e liberdade”, ressalta.

Luciene Carla reforça esse ponto com dados alarmantes. Segundo sua pesquisa de doutorado, cerca de 90% das mulheres trans e travestis brasileiras atuam na prostituição de forma compulsória, por não terem outras opções de trabalho. “Não se trata de uma questão moralista, mas sim da falta de alternativas. Quem nega oportunidades no mercado de trabalho empurra essas pessoas para a prostituição”, enfatiza.

Apesar dos desafios, a luta por direitos já trouxe avanços. A presença de pessoas trans na mídia, na política e em espaços acadêmicos tem crescido, trazendo mais visibilidade para a causa.

“O ativismo tem sido essencial para garantir direitos e abrir caminhos para a população trans. Movimentos sociais, coletivos e organizações desempenham um papel crucial na luta por políticas públicas”, destaca Agatha.

Barbarah Brasil compartilha um exemplo concreto de mudança. Em 2023, ela coordenou uma parceria entre o SENAI e a EDP para formar uma turma de pessoas trans no curso de eletricista. Todos os alunos foram contratados pela empresa. “Foi o primeiro emprego de muitas delas. Oportunidades assim mudam vidas”, afirma.

Luciene Carla também acredita que o cenário tem melhorado, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Para ela, a educação é a chave para uma inclusão real. “Precisamos de campanhas de conscientização, políticas públicas efetivas e mais representatividade nos espaços de decisão. A mudança começa na escola, no mercado de trabalho e na sociedade como um todo”, pontua.

Uma luta por dignidade e futuro

O Dia da Visibilidade Trans reforça a urgência de políticas que garantam segurança, inclusão e respeito para pessoas trans no Brasil. Enquanto desafios persistem, a luta continua. Como destaca Luciene Carla, “é possível resistir, encontrar seu lugar e romper as barreiras, apesar da transfobia. Mas essa luta precisa ser de toda a sociedade, e não apenas das pessoas trans”.

A inclusão real exige não apenas reconhecimento, mas ações concretas para garantir que pessoas trans tenham oportunidades, dignidade e os mesmos direitos que qualquer outro cidadão. 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans.

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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