Alerj ‘solta a mão’ do terceiro deputado preso pela PF desde o ano passado

Preso pela Polícia Federal, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) não contará com a “solidariedade” dos colegas da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), já avisou aos seus pares que não colocará em votação a soltura do parlamentar, sob a justificativa de que os atos ilícitos apontados pela PF não teriam ligação com o exercício do mandato. Um interlocutor disse a VEJA que ele também acompanha decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou a possibilidade de a Alerj se manifestar sobre a continuidade da prisão.

No último dia 4, Moraes autorizou a quarta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de fraude na compra de materiais e na execução de obras em escolas da rede estadual de Educação. Rangel é apontado como gestor de um dos braços do esquema – na região Noroeste. A organização, no entanto, seria maior e comandada em todo o estado pelo ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), que se encontra preso.

Para o ministro, a imunidade parlamentar processual não deve ser aplicada a Rangel – agora preso por tempo indeterminado – e vem sendo utilizada até mesmo em crimes sem relação com o exercício do mandato, inclusive em casos de envolvimento de parlamentares com organizações criminosas. Bacellar foi preso pela PF em dezembro do ano passado por suspeita de vazar informação da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, considerado o braço político do Comando Vermelho. O ex-presidente chegou a ter a prisão revogada pela Alerj poucos dias depois. O placar contou com 42 votos favoráveis, 21 contrários e duas abstenções. No dia seguinte, Moraes decidiu pela soltura, mas com medidas cautelares e o afastando da presidência. No dia 27 de março, o então “todo poderoso” da Alerj, que teve o mandato cassado pelo TSE, voltou a ser preso pela PF.

“Clima péssimo” na Alerj

O abandono de Thiago Rangel causa preocupação na Assembleia, onde nos bastidores se fala na possibilidade de novas operações da PF contra deputados. Parlamentares temem que, com o precedente, aliados eventualmente detidos sofram o mesmo destino. Um deputado do PL contou a VEJA que a Assembleia “está parada” e que o “clima é péssimo”. No caso de Thiago Rangel, Ruas evita bater de frente com o STF – a quem cabe decidir sobre a linha sucessória do estado – e gerar mais um desgaste às vésperas da eleição. Rangel é o terceiro deputado preso deste setembro, e a ação da PF abalou ainda mais a imagem da Casa. “Respinga em todo mundo”, conclui um deputado da oposição.

 

 

 

Fonte do Conteudo: Ludmilla de Lima – veja.abril.com.br

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