A prevenção do câncer de cabeça e pescoço continua sendo a principal estratégia para reduzir a incidência da doença e aumentar as chances de cura. O conjunto de tumores pode atingir estruturas como boca, língua, garganta, laringe e faringe e, muitas vezes, apresenta sintomas discretos nas fases iniciais, o que faz com que muitos pacientes procurem atendimento apenas quando o câncer já está avançado.
Especialistas alertam que evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter hábitos de vida saudáveis e prevenir a infecção pelo HPV estão entre as medidas mais eficazes para reduzir o risco. Além disso, reconhecer sinais persistentes, como rouquidão, feridas na boca e dificuldade para engolir, pode fazer toda a diferença no tratamento.
Tabagismo, álcool e HPV são os principais fatores de risco
O oncologista e cirurgião de cabeça e pescoço Cláudio Cavalcanti, do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), em Brasília, explica que os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer variam conforme a faixa etária.
Entre adultos acima dos 40 anos, o tabagismo e o consumo de álcool seguem como os maiores responsáveis pelo surgimento dos tumores do trato aerodigestivo superior. Já entre pessoas mais jovens, cresce a participação do HPV, principalmente nos casos que acometem a orofaringe.
Segundo o especialista, a prevenção também passa pela adoção de comportamentos seguros para evitar a infecção pelo vírus e pela interrupção do uso de cigarros convencionais e eletrônicos.
“Mesmo quem utiliza cigarro eletrônico não está livre dos riscos. A combinação entre tabaco, álcool e, mais recentemente, a infecção pelo HPV continua sendo o principal cenário para o desenvolvimento desses tumores”, afirma Cavalcanti.
Sintomas persistentes não devem ser ignorados
Rouquidão que não melhora, dor ao engolir, dificuldade para deglutir, feridas na boca que permanecem por semanas e nódulos no pescoço estão entre os principais sinais de alerta.
De acordo com os especialistas, qualquer lesão na cavidade oral que não cicatrize em até 30 dias deve ser avaliada por um profissional. Consultas regulares ao dentista também ajudam na identificação precoce de alterações que podem passar despercebidas pelo paciente.
O otorrinolaringologista Mateus Alves Farah, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), ressalta que sintomas contínuos merecem investigação e não devem ser tratados como problemas comuns por longos períodos.
“Rouquidão persistente ou dor para engolir que não melhora não devem ser consideradas normais. Quanto mais cedo o paciente procurar avaliação especializada, maiores são as possibilidades de tratamento curativo”, destaca Farah.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do câncer
A prevenção também envolve acompanhamento médico para pessoas com maior risco, especialmente fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas. Nesses casos, avaliações periódicas podem identificar alterações ainda nos estágios iniciais da doença.
Quando o câncer é diagnosticado precocemente, as taxas de cura são significativamente maiores e o tratamento tende a ser menos agressivo, preservando funções importantes como fala, deglutição e respiração. Em muitos casos, o primeiro profissional a identificar alterações pode ser o dentista ou o otorrinolaringologista, que encaminha o paciente ao cirurgião de cabeça e pescoço para investigação e tratamento quando necessário.
Especialistas reforçam que abandonar o cigarro, moderar o consumo de álcool, manter alimentação equilibrada, receber a vacinação contra o HPV quando indicada e procurar atendimento diante de sintomas persistentes são atitudes fundamentais para fortalecer a prevenção e reduzir o impacto do câncer de cabeça e pescoço.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com