Cortar carne e leite por semanas pode mudar o funcionamento do corpo

Cortar carne e laticínios por algumas semanas pode modificar o funcionamento do organismo, incluindo a forma como certos genes se expressam. É o que indica um estudo publicado em 8 de agosto na revista Nature Communications, que analisou hábitos alimentares ligados a práticas religiosas.

Os pesquisadores acompanharam cerca de 200 pessoas na Grécia que seguem períodos regulares sem consumir carne, peixe, leite e ovos ao longo do ano. A prática, comum entre cristãos ortodoxos, alterna fases com e sem produtos de origem animal e permitiu observar mudanças no corpo em condições do dia a dia.

Mudanças no metabolismo e nos genes

Ao comparar esse grupo com mais de 200 pessoas que não seguem restrições, a equipe identificou alterações na atividade de genes e em processos metabólicos. Um dos destaques foi a variação nos níveis de uma proteína chamada FGF21, ligada ao metabolismo energético.

Em alguns participantes, essas mudanças estiveram associadas a sinais de transformação do tecido adiposo. Nesse processo, células de gordura passam a se comportar de forma mais parecida com as que gastam energia, e não apenas armazenam.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

Outro ponto observado foi a atuação de uma variante genética relacionada ao colesterol. Em quem seguiu a restrição alimentar, houve uma resposta do organismo possivelmente ligada à menor ingestão desse nutriente.

Interação entre dieta e genética

Os autores destacam que os efeitos não foram iguais para todos. As respostas variaram de acordo com o perfil genético de cada pessoa, o que ajuda a explicar por que indivíduos com dietas parecidas podem ter resultados diferentes em relação ao peso e à saúde.

“Esse padrão alimentar oferece uma oportunidade de observar como o corpo reage a mudanças reais na dieta”, apontam os pesquisadores no estudo.

Apesar dos achados, os cientistas ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cuidado. O trabalho identifica associações, mas não prova relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os dados indicam que até mudanças temporárias na alimentação podem influenciar processos internos do organismo, reforçando a relação entre dieta, genética e saúde.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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