O empresário Marcelo Conde, de 66 anos, investigado por suposta compra e vazamento dos dados fiscais da advogada Viviane Barci de Moraes, casada com o ministro Alexandre de Moraes, ressalta que até o presidente Lula admite que os excessos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ficam impunes.
Para Conde, que nega o crime, a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o ministro o Dias Toffoli feita, no último sábado (15), deveria ser tomada como uma clara sinalização sobre a atuação abusiva da Alta Corte.
Marcelo Conde é um dos nomes incluídos no chamado Inquérito das Fake News, relatado por Moraes. Ao Metrópoles, o empresário que foi alvo de buscas da Polícia Federal (PF), disse:
“É uma situação tão absurda que até o presidente da República aponta os excessos e a discricionariedade de alguns juízes do STF, e nada acontece. A sociedade e os Poderes estão acovardados”, afirmou Conde à coluna de Andreza Matais.
A defesa de Conde apresentou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, no início do mês, um pedido para que Alexandre de Moares não seja o juiz responsável pelo caso. Pelos advogados, Moares deveria se declarar impedido, já que é marido da suposta vítima, Viviane Barci.
Ao próprio Alexandre de Moares já havia sido solicitado, anteriormente, que deixasse a relatoria do caso, mas o juiz ignorou o pedido da defesa de Conde.
A crítica de Lula a Toffoli ocorreu no sábado, primeiro dia da campanha eleitoral, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, o presidente lembrou que o magistrado o impediu de comparecer ao velório do seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em janeiro de 2019. Lula disse que nem na ditadura militar fizeram isso com ele.
Em 1980, Lula, que era sindicalista, foi preso por liderar greve de trabalhadores da indústria no ABC Paulista. Naquele ano faleceu a sua mãe Eurídice Ferreira, conhecida como Dona Lindu. O então diretor-geral do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Romeu Tuma, permitiu que Lula fosse ao velório de Dona Lindu.
“No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro do meu irmão Vavá”, afirmou Lula no palanque, acrescentando: “Os homens não são medidos por épocas. Os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”.
Aliados interpretaram que, com a declaração, Lula sinalizou que, se for reeleito, não atuará para impedir um possível pedido de impeachment contra Dias Toffoli, indicado por ele ao STF, em 17 de setembro de 2009.
Com informações do Metrópoles.
Fonte do Conteudo: Patricia Lima – diariodorio.com