Nos últimos dias, o tema da adultização infantil voltou com força ao debate público, após a denúncia feita pelo influenciador Felca. É bom ver que pessoas com alcance nacional têm usado sua voz para trazer luz a uma questão tão séria. A delegada Sheila, que diariamente alerta às famílias em suas redes sociais, também reforça esse chamado: precisamos proteger nossas crianças.
Como psicopedagoga e mãe, não posso deixar de refletir sobre o quanto a tecnologia tem antecipado fases da infância. Muitas vezes, vejo pais cedendo pelo cansaço, acreditando que o celular pode “resolver” momentos de tédio ou até conflitos. Mas é preciso ter clareza: celular não é brinquedo. TikTok não foi feito para crianças.
O desenvolvimento infantil é feito de etapas, e pular essas fases traz prejuízos sérios, tanto emocionais quanto cognitivos. Quando entregamos uma tela sem limites, não damos a chance de nossos filhos explorarem o mundo real, criarem, se movimentarem e aprenderem a lidar com o tempo e o tédio.
Claro que não é fácil, eu sei. Às vezes nossos filhos insistem até nos vencer pelo cansaço. Mas nós, como pais, precisamos lembrar: somos nós que sabemos o que é melhor para eles. Somos nós que podemos oferecer alternativas.
Como prevenir a adultização infantil?
Aqui vão algumas orientações práticas:
1- Criança menor de 10 anos não precisa de celular próprio. Isso torna muito mais difícil o controle. Se já tem, use ferramentas de proteção, como o Family Link do Google, que permite limitar o tempo de uso e até definir horários. Isso evita o desgaste de ficar discutindo a todo momento.
2- Entenda o cérebro infantil. A criança não tem noção de parar sozinha, porque o cérebro em desenvolvimento pede sempre mais dopamina. Não espere que ela consiga se autorregular sem limites claros.
3- Ofereça alternativas concretas. Invista em materiais de papelaria, jogos de tabuleiro, massinhas, tintas, miçangas, caixas de papelão. Dê à criança a oportunidade de criar, imaginar e se entreter de forma saudável.
4- Aceite a bagunça. Casa com vida e energia é uma casa com brinquedo espalhado, com tinta na mesa, com caixa de papelão virando castelo. Outro dia ouvi de uma mãe: “prefiro minha casa organizada do que bagunçada, por isso deixo meu filho no celular”. Essa é uma escolha. Mas é preciso lembrar: o preço de uma casa organizada demais pode ser uma infância roubada.
Adultizar nossas crianças é um risco real. Mas ainda há tempo de revermos nossas escolhas. O maior presente que podemos dar aos nossos filhos é permitir que vivam sua infância plenamente. Brincando, explorando, aprendendo com o mundo real, não apenas com a tela. Eu acredito que mentes saudáveis criam um mundo melhor.
Fonte do Conteudo: Maria Tereza Samora – eshoje.com.br