A corrida pelas duas vagas do Espírito Santo no Senado apresenta, na nova pesquisa do Paraná Pesquisas, um cenário dividido em dois movimentos. De um lado, Renato Casagrande (PSB) permanece numericamente à frente dos demais candidatos, com 49,8% das intenções de voto. De outro, a disputa pelas posições seguintes aparece mais fragmentada, com Fabiano Contarato (PT), Sergio Meneguelli (PSD), Maguinha Malta (PL), Rose de Freitas (MDB) e Evair de Melo (Republicanos) formando um grupo separado por diferenças que, em alguns casos, ficam dentro ou próximas da margem de erro.
O levantamento divulgado nesta quinta-feira (24) ouviu 1.304 eleitores capixabas entre 18 e 22 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no Tribunal Superior Eleitoral é ES-05719/2026. Como serão escolhidos dois senadores em 2026, a pergunta estimulada permitiu que cada entrevistado apontasse até dois nomes. Por isso, os percentuais não somam 100%.
Casagrande aparece com 49,8%, seguido por Contarato, com 22,7%, e Meneguelli, com 19,9%. Na sequência estão Maguinha Malta, com 16,6%; Rose de Freitas, com 14%; Evair de Melo, com 13,8%; e Marcos do Val (Avante), com 9,7%. Callegari registra 3,8%, Professor Fabian (PSOL), 1,8%, Rodney Miranda (PRTB), 1,4%, e Leonardo Monjardim (Novo), 1%. Outros 5,6% não souberam ou não quiseram responder, enquanto 6,1% afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato.
A comparação com a pesquisa anterior do mesmo instituto mostra que Casagrande oscilou de 52,3%, em agosto, para 49,8% agora. A diferença de 2,5 pontos está praticamente no limite das margens de erro dos dois levantamentos, o que recomenda cautela ao interpretar o movimento como uma mudança consolidada. Na pesquisa de agosto, realizada entre 22 e 26 daquele mês, foram entrevistadas 1.504 pessoas e a margem de erro era de 2,6 pontos.
Contarato teve trajetória semelhante. O senador passou de 25,4% para 22,7%, uma oscilação negativa de 2,7 pontos. Consideradas as margens de erro dos levantamentos, o dado não permite afirmar, isoladamente, que houve uma queda efetiva da candidatura. O que se pode registrar objetivamente é que os dois primeiros nomes apresentaram percentuais menores na rodada de setembro.
Entre os candidatos que vêm logo atrás, o movimento foi diferente. Sergio Meneguelli passou de 17,9% para 19,9%, enquanto Maguinha Malta avançou de 14,1% para 16,6%. Rose de Freitas saiu de 12,9% para 14% e Evair de Melo foi de 12% para 13,8%. Marcos do Val oscilou de 10,2% para 9,7%.
Esses números ajudam a explicar por que a segunda vaga aparece menos definida do que a primeira colocação. Contarato tem 22,7%, apenas 2,8 pontos à frente de Meneguelli, diferença exatamente igual à margem de erro declarada para a rodada de setembro. Meneguelli, por sua vez, está 3,3 pontos à frente de Maguinha Malta. Rose e Evair aparecem logo depois, com 14% e 13,8%, respectivamente.
Outro aspecto relevante está na diferença entre a pesquisa estimulada e a espontânea. Quando os nomes dos candidatos são apresentados, Casagrande chega a 49,8%. Na pergunta espontânea, em que o eleitor precisa citar os nomes sem uma lista, ele aparece com 14,5%. Contarato tem 6%, Evair, 5,8%, Meneguelli, 4,4%, e Maguinha Malta, 4,1%. Ao todo, 63,7% não souberam ou não quiseram responder à pergunta espontânea.
A diferença entre os dois modelos de pergunta mostra que ainda existe um contingente expressivo de eleitores que não tem um nome definido quando precisa fazer a escolha sem estímulo. Isso é particularmente relevante em uma eleição para o Senado, na qual o eleitor terá dois votos e pode combinar candidaturas de diferentes campos políticos.
A fotografia de setembro, portanto, não mostra apenas a manutenção da liderança de Casagrande. Ela registra também uma movimentação na faixa intermediária da disputa. O ex-governador permanece próximo da metade do eleitorado na pergunta estimulada, enquanto Contarato e Meneguelli aparecem numericamente próximos e outros quatro candidatos registram percentuais de dois dígitos.
É importante, porém, evitar transformar uma única oscilação em tendência. As duas pesquisas foram realizadas em momentos diferentes, com amostras e margens de erro distintas. A rodada de setembro ouviu 1.304 eleitores, enquanto a de agosto entrevistou 1.504. Assim, a comparação é útil para acompanhar o quadro, mas não permite, sozinha, atribuir causa às variações registradas.
O dado mais sólido da série é a permanência de Casagrande na primeira posição nos levantamentos recentes do instituto. Em março, por exemplo, o Paraná Pesquisas já registrava o então governador na liderança em diferentes cenários para o Senado. Naquele levantamento, um dos cenários apresentava Casagrande com 46,3%, enquanto outros nomes testados eram diferentes dos que aparecem na rodada atual.
Com pouco mais de uma semana para o primeiro turno, a nova pesquisa coloca o Senado capixaba diante de uma configuração em que a liderança está concentrada em um nome, mas a segunda vaga reúne um grupo mais amplo de candidaturas. O resultado final, naturalmente, dependerá dos votos efetivamente registrados nas urnas, enquanto a pesquisa representa apenas as intenções declaradas pelos entrevistados no período de coleta.
Evolução desde agosto
A Paraná Pesquisas também fez a comparação com o levantamento anterior, registrado sob o número ES-02530/2026:
| Candidato | Agosto | Setembro | Variação |
|---|---|---|---|
| Renato Casagrande | 52,3% | 49,8% | -2,5 p.p. |
| Fabiano Contarato | 25,4% | 22,7% | -2,7 p.p. |
| Sergio Meneguelli | 17,9% | 19,9% | +2,0 p.p. |
| Maguinha Malta | 14,1% | 16,6% | +2,5 p.p. |
| Rose de Freitas | 12,9% | 14,0% | +1,1 p.p. |
| Evair de Melo | 12,0% | 13,8% | +1,8 p.p. |
| Marcos do Val | 10,2% | 9,7% | -0,5 p.p. |
| Callegari | 2,7% | 3,8% | +1,1 p.p. |
| Professor Fabian | 2,5% | 1,8% | -0,7 p.p. |
| Rodney Miranda | 2,8% | 1,4% | -1,4 p.p. |
| Leonardo Monjardim | 1,5% | 1,0% | -0,5 p.p. |
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Fonte do Conteudo: Cristiano Stefenoni – esbrasil.com.br