A Clínica da Dor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), localizada no quinto andar do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, vem ganhando destaque nacional ao se consolidar como referência no tratamento de pacientes com dor crônica. Em um cenário em que esse tipo de atendimento ainda é pouco estruturado na rede pública, a experiência fluminense passa a ser vista como possível base para a formulação de uma política pública em âmbito nacional.
Nesse contexto, o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5.978/2025, que prevê a criação de Clínicas da Dor em todos os hospitais universitários federais do país. A proposta tem como objetivo ampliar o acesso a tratamentos especializados para pacientes que convivem diariamente com dores persistentes, como aqueles diagnosticados com fibromialgia, condição que afeta majoritariamente mulheres.
A iniciativa surge diante de um quadro em que doenças relacionadas à dor crônica figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Entre elas, as lombalgias, dores na região lombar, estão entre as que mais geram concessão de benefícios previdenciários. Dados recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam que a dorsalgia lidera, pelo terceiro ano consecutivo em 2025, o ranking de afastamentos.
De acordo com especialistas, a ausência de serviços especializados faz com que muitos pacientes precisem circular por diferentes unidades de saúde até obter diagnóstico e tratamento adequados, sem integração entre os profissionais envolvidos no cuidado.
Para Hugo Leal, a criação de clínicas específicas pode organizar esse atendimento de forma mais eficiente.
“Nosso objetivo é prontificar um local que forneça um atendimento multidisciplinar a essas pessoas, que muitas vezes enfrentam viagens e mais viagens com dores para serem atendidas em locais diferentes, por profissionais que não conversam entre si. A clínica da dor acaba com esse problema, porque essa dor é invisível, mas real”, afirmou o parlamentar.
No Hospital Universitário Pedro Ernesto, a Clínica da Dor da Uerj é coordenada pelo médico e professor Nivaldo Ribeiro Villela e funciona com uma equipe multiprofissional. O grupo reúne médicos especialistas em dor, reumatologistas, neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, nutricionistas e assistentes sociais.
O modelo adotado segue a abordagem biopsicossocial, que considera não apenas os aspectos físicos da doença, mas também os impactos emocionais e sociais da dor persistente. A proposta é reduzir limitações funcionais, melhorar a qualidade de vida e favorecer a reinserção dos pacientes nas atividades cotidianas.
O projeto em tramitação no Congresso também prevê apoio do governo federal para implantação e manutenção das unidades, por meio de repasses financeiros, convênios, assistência técnica e capacitação profissional. O texto estabelece ainda que o atendimento deverá seguir protocolos clínicos baseados em evidências científicas.
Além do diagnóstico e tratamento, as futuras clínicas deverão oferecer programas de reabilitação funcional, acompanhamento psicossocial e monitoramento contínuo dos pacientes.
O Projeto de Lei 5.978/2025 segue em análise na Câmara dos Deputados e já foi encaminhado às comissões de Educação, Saúde, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso avance, a proposta pode transformar a experiência desenvolvida no Rio de Janeiro em uma rede nacional de atendimento especializado para pacientes com dor crônica.
Fonte do Conteudo: Altair Alves – diariodorio.com