ESPECIAL: Cooperar, mudar e Impactar: O trabalho das cooperativas na sociedade | Jornal Espírito Santo Notícias

O cooperativismo com a sua influência é um grande aliado no desenvolvimento social, econômico e sustentável.

Reportagem especial: O Espírito Santo é um grande berço do cooperativismo, atendendo em vários setores, desde do agro, educação e serviços essenciais que fazem parte do dia a dia de milhões de capixabas, auxiliando no desenvolvimento populacional, oferecendo diversas oportunidades que transformam todo um ambiente, e torna a sociedade muito mais assertiva. 

O cooperativismo tem crescido exponencialmente e expandindo a sua presença ao longo de décadas, figurando em sucesso, todas as riquezas e trabalhos, de maneira sustentável e econômica, dando voz e vez aos serviços que integram o coletivo que faz jus ao termo cooperar.

Com as primeiras cooperativas criadas nas regiões rurais, o interior do Espírito Santo foi crucial para que esse novo modo de empreender fosse implementado em várias partes do estado, acompanhando o ritmo de crescimento que o cooperativismo foi adquirindo no país. Apesar de um movimento ainda tímido, essa história teve início na década de 1930, fortalecendo o consumo de produtos alimentícios, e caminhando de forma gradual com o surgimento de outras cooperativas em setores que moldaram toda estrutura e o modo de viver de toda a sociedade. 

E na sociedade, o cooperativismo faz um elo, traçando oportunidades e impactando tudo aquilo que é novo e essencial na construção de um mundo ainda mais abrangente, adotando medidas que beneficiam no fortalecimento de uma economia respeitável, na diminuição de diversos problemas de desigualdade, combatendo toda a ferida da humanidade através dos princípios básicos do desenvolvimento. 

Linha do Tempo do Cooperativismo no Espírito Santo

1938 – Na cidade de Cachoeiro de Itapemirim surge a Selita, primeira cooperativa do Espírito Santo, considerada uma das maiores atualmente!

1950 – Mais duas cooperativas são criadas no estado, com foco no ramo do consumo.

1972 – Com o crescimento no número de cooperativas capixabas, é criado a Organização e Sindicato das Cooperativas do Estado do Espírito Santo (OCEES), conhecida atualmente como OCB/ES. Com a representação de 36 cooperativas.

2006 – É estabelecida a Política Estadual do Cooperativismo no Espírito Santo.

2022 – A OCB/ES faz 50 anos, fortalecendo ainda mais a união e o desenvolvimento do cooperativismo capixaba.

Segundo o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, o cooperativismo é um importante pilar da economia do Espírito Santo, e que se somado ao impacto direto do Coop no PIB capixaba e o impacto que ele provoca em outros setores, o número é bem significativo.

 

Arte: Paulo BarcellosO crescimento vem se destacando a cada ano mostrando a potência que é o mundo cooperativo, e na comparação com o ano de 2023, a porcentagem de impacto no PIB capixaba teve um aumento, chegando a 12,8% da Produção Interna Bruta do estado, de acordo com o Anuário do Cooperativismo Capixaba 2025.

Para o futuro, enxergo um cooperativismo cada vez mais pujante, conectando mais e mais pessoas e gerando um impacto ainda maior que o atual”, ressalta Carlos André Santos de Oliveira.

Carlos acredita que o futuro é coop e o avanço ano a ano confirma isso, e que quanto mais conhecerem o modelo de negócio, mais irão querer fazer parte dele (Foto: Arquivo Pessoal)Mas, para além dos números, a relevância do cooperativismo é vista principalmente no dia a dia. As cooperativas estão presentes em praticamente todas as áreas da vida dos capixabas, do café da manhã que tomam aos serviços médicos e financeiros que utilizam. Elas movem a economia quando ofertam seus produtos e serviços, geram empregos, ampliam a entrada dos cooperados nos mercados diferenciados, promovem o desenvolvimento local e pagam seus impostos.

O BEM ESTAR E A INCLUSÃO ADOTADAS NAS COOPERATIVAS 

 

Equipe Cooperáguia (Foto: Cooperáguia)A Cooperáguia foi criada há 50 anos, em 1975 com o objetivo de oferecer assistência para os funcionários do Grupo Águia Branca, a cooperativa funciona com a ideia de  fortalecer a união da empresa junto aos prestadores de serviços.

Com o grande número de solicitações de adiantamento de salários para fins emergenciais, foi então criada a cooperativa de crédito, com a união de 30 colaboradores que juntos fundaram um sistema que integra não só os trabalhadores mas que também promove o bem-estar e estabilidade aos seus funcionários.

Atualmente a cooperativa atende cerca de 11 mil colaboradores, oferecendo convênios em diversos serviços de diferentes setores, facilitando o acesso à saúde, hospedagens, viagens, seguros, capacitação profissional e prática esportiva.

Para o Gerente Executivo da Cooperáguia, Nilton Monteiro, quando é ofertado créditos com condições acessíveis, a cooperativa contribui de forma efetiva na realização de sonhos e resolução de problemas pessoais de cada trabalhador. 

 

Arte: Paulo Barcellos“A Cooperáguia atua como parceira dos cooperados, buscando de forma contínua contribuição para que todos consigam alcançar seus objetivos e realizar os seus sonhos.” Nilton Monteiro

A Cooperáguia atua não só com linhas de créditos, mas também realiza ações, que englobam tanto os funcionários quanto às famílias, com eventos que fortalecem a comunidade, e geram resultados afetivos, tornando cada vez mais satisfatório a relação da cooperativa com todos os colaboradores.

Uma das ações promovidas é a Cooperkids, que tem a finalidade de comemorar o dia das crianças junto aos filhos dos cooperados, com diversas atividades e sempre com uma campanha em cada edição, como nos anos anteriores o Cooperkids manteve o incentivo a prática da solidariedade, estimulando cada Cooperado a contribuir com a doação de fraldas para os hospitais do SUS do estado do Espírito Santo.

    

                  Evento Cooperkids ( Foto: Divulgação )

Mas a prática adotada na cooperativa, se entende em outros âmbitos, não apenas com arrecadações de itens de higiene. A Cooperáguia realiza uma super ação entre os cooperados e o Hemoes todos os anos, desde 2019. 

E no ano de 2025, 51 bolsas de sangue foram doadas, e 21 colaboradores se cadastraram como doadores de medula óssea. E isso comprova que a solidariedade é o ponto inicial para uma boa cooperação e desenvolvimento na sociedade.

 

Equipe da Cooperáguia e profissionais da saúde para doação de bolsas de sangue (Foto: Cooperáguia)A assistente de arquivo do Grupo Águia Branca Gabriela Gonçalves, 25 anos, é uma das milhares de Pessoas com Deficientes (PCD), no Espírito Santo. Ela enfrenta o desafio de conviver com deficiência auditiva, onde necessita de recursos especiais tanto na sua vida pessoal como também na sua rotina de trabalho. 

Mas em um período ela se viu contra a parede, quando perdeu um dos seus equipamentos essenciais para condições melhores de vida, o seu aparelho auditivo. E foi nesse momento que a Gabriela recorreu a assistência da Cooperáguia, recebendo uma linha de crédito para que adquirisse um novo aparelho auditivo.

“A Cooperáguia pra mim é muito mais que uma cooperativa. É um lugar onde me sinto acolhida e valorizada como cooperada.” Gabriela Gonçalves.

 

 

Antônio é cooperado desde 2007, e tem dismetria dos membros inferiores e com a ajuda da Cooperáguia já realizou diversos sonhos. ( Foto: Cooperáguia )Assim como Gabriela, o auxiliar administrativo Antônio Marcos Almeida, 48 anos, também teve sua vida impactada com o apoio da cooperativa, realizando alguns projetos pessoais que talvez se fosse em outro local ele não teria os mesmo resultados que teve nos últimos anos. “A Cooperáguia gera transformação porque me proporciona a ter qualidade de vida e a dar um conforto para a minha família.” relata Antônio.

Esperança para um Futuro Melhor

A inclusão no mercado de trabalho é essencial para que pessoas com deficiência (PCD), possam ter a oportunidade de conquistar uma vaga de emprego e mostrar para a sociedade que nenhum obstáculo medirá a capacidade de evoluir e aplicar as habilidades e domínio na área de atuação.

Apesar do arquétipo adotado na sociedade de que portadores de necessidades especiais têm um resultado inferior durante a rotina de trabalho. Muitas empresas se diferenciam das outras, priorizando não só a capacitação mas também adequando e equipando o ambiente de trabalho para uma melhor produção e conforto na adaptação do funcionário em suas funções.

De acordo com o último censo demográfico do ano de 2022, o Brasil tinha em 14,4 Milhões de Pessoas com Deficiência no País, o que corresponde a cerca de 7,3% da população brasileira. Já no Espírito Santo o número de deficientes é de 268,8 mil, equivalente a 7,2% da população capixaba, segundo dados do IBGE.

 

 

Arte: Paulo BarcellosVale ressaltar que de acordo com  a pesquisa feita pela Secretaria de Desenvolvimento Humano do Espírito Santo (SEDH), o número de pessoas com deficiência no mercado de trabalho no estado é de 128 mil, mesclando entre funcionários públicos, funcionários com carteira assinada e autônomos. O Analista de Comunicação e Marketing Beethoven Brasileiro, 36 anos, portador de deficiência física, encara o desafio de ser uma pessoa com deficiência no Brasil.

Apesar de sua deficiência, Beethoven sempre optou por mostrar coragem e seguir com competência e entusiasmo na sua vida pessoal, onde percorre vários lugares palestrando, e na sua vida profissional, lugar esse que vem se destacando a 10 anos em uma das maiores cooperativas do Espírito Santo, a Unimed Vitória.

O Analista conta que entrou na cooperativa em 2015 através de uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência, e desde então vem colhendo frutos e conquistas atuando diretamente com a assessoria de comunicação da Unimed e com produções de conteúdos em geral.

De acordo com a Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91), as empresas com 100 ou mais funcionários têm obrigatoriedade de 2% e 5% dos seus cargos serem preenchidos por Pessoas com Deficiência.

 

Foto: Arquivo Pessoal“Incluir essas pessoas no mercado de trabalho, nas instituições, a diversidade comprovadamente é muito benéfica pro negócio né, empresas que trabalham e atuam com diversidade tendem a ter 50% menos de turnover. Elas criam um produto novo por ano, ou seja, fomenta, desenvolve a inovação dentro da empresa, o ambiente ele se torna muito mais rico e com muito menos conflito, então assim, o correto a ser feito é trabalhar a diversidade,” relata Beethoven 

 

 

O jeito que ele pensa em se sentir incluído na sociedade foi vencendo cada passo, colocando sua habilidade em prática e mostrando que a diversidade funciona quando bem aplicada, e de fato, muitas das ações promovidas pela Unimed Vitória foi pensada criteriosamente para que o público PCD, se sentissem bem no ambiente de trabalho, incentivando os seus colaboradores a desenvolver os seus potenciais com o apoio da cooperativa e mostrar cada vez mais que é possível acolher, transforma e aprender. Configurando uma realidade muito mais inclusiva e diversa, para que novas outras pessoas possam se interessar.

E pensando na inclusão e diversidade, a Unimed Vitória criou o projeto “Para Todos” com o intuito de ampliar a inclusão das pessoas dentro da empresa, não apenas para cumprimento da cota, mas sim para a valorização dessas pessoas e o respeito com as diferenças. O principal objetivo é promover um ambiente inclusivo e acessível para essas pessoas.

Com um ambiente constantemente adaptado para garantir a acessibilidade tanto física quanto digital desse público, a Analista Business Partner da Unimed Vitória, Luziana Covre, ressalta que a cooperativa investe em ações de desenvolvimento dos profissionais e realiza eventos de sensibilização em relação à cultura de inclusão.  

Para a Cooperativa, entender o papel social da inclusão em todos os sentidos da diversidade é benéfico para o desenvolvimento da empresa. “Tudo que é diverso faz com que a gente pense diferente”, finaliza Luziana.

Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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