Estudo descobre como corpo mantém a energia em dietas sem carboidratos

Tendo como inspiração os urubus, que têm dieta composta praticamente de proteínas e, ainda assim, possuem energia para voar e caçar, pesquisadores brasileiros descobriram como o corpo sobrevive com dietas sem carboidratos.

Em testes feitos em camundongos, os cientistas perceberam que o organismo troca de caminho para manter a produção de glicose pelo fígado em níveis aceitáveis, gastando pouca energia para produzi-la. O estudo foi publicado na revista científica American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism em outubro de 2025.

Os cientistas da Faculdade de Medidina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) alimentaram camundongos adultos com uma dieta formada por 86% de proteínas, 8% de gorduras e 6% de uma mistura de sais e vitaminas durante 30 dias. Os animais não receberam nenhuma forma de carboidrato.

Foram monitorados peso, glicemia e consumo alimentar dos ratinhos e, desde a primeira semana de acompanhamento, eles apresentaram níveis de glicose mais baixos do que o grupo controle, que consumiu um cardápio equilibrado entre proteínas e carboidratos.

Segundo os pesquisadores, testes moleculares mostraram que, em princípio, o fígado era estimulado pelo glucagon (hormônio que acusa a queda de açúcar no sangue) para produzir a glicose e usava uma proteína chamada CREB.

Fígado troca de caminho para sobreviver sem carboidratos

Porém, esse caminho deixa de funcionar com o passar do tempo, e o órgão se torna resistente ao glucagon. A partir daí, o fator de transcrição FoxO1 começa a participar do processo.

“Fatores de transcrição são proteínas que entram no núcleo da célula e regulam a expressão de genes específicos. No caso, o FoxO1 ativa genes de enzimas responsáveis por transformar aminoácidos em glicose, ou seja, genes da via gliconeogênica. Diferentemente do CREB, ele depende da queda da insulina para atuar e os animais em dieta hiperproteica apresentam níveis mais baixos desse hormônio”, explica a pesquisadora Ísis do Carmo Kettelhut, em entrevista à Agência Fapesp.

Os cientistas acreditam que o corpo passa de uma situação de emergência para um modo crônico de produção de glicose, que gasta menos energia e pode ser mais eficaz a longo prazo.

Também foi observado que um hormônio semelhante ao cortisol em humanos aumentou nos ratinhos que não estavam ingerindo carboidratos. Quando as glândulas adrenais, que produzem o hormônio, foram retiradas, os animais deixaram de conseguir manter a glicemia em jejum, indicando que alguns corticoides também são essenciuais nesse tipo de dieta.

A pesquisa continua, e os cientistas explicam que entender como acontece o processo é essencial para ajudar pacientes com diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, que costumam ter essa via de produção de glicose desregulada. Com o conhecimento, eles acreditam que é possível desenvolver novos medicamentos e estratégias terapêuticas para esse público no futuro.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

VEJA MAIS

goleiro de Cabo Verde ganhou apelido após bullying no futebol

Herói de Cabo Verde na partida contra a Espanha pela estreia na Copa do Mundo,…

Brasil desenvolve sensor de freio obrigatório para carros em 2029

Pesquisadores de universidades, institutos de pesquisa e empresas do setor automotivo desenvolvem, aqui no Brasil,…

Tráfego de helicópteros cresce no Rio e moradores do Recreio reclamam de barulho: ‘É o dia inteiro’

Foto: Reprodução/TV Globo A colisão entre dois helicópteros que deixou seis mortos no Recreio dos…