A colisão entre dois helicópteros que deixou seis mortos no Recreio dos Bandeirantes, no último domingo (14), voltou a chamar a atenção para a intensa movimentação de aeronaves na Zona Sudoeste. Dados do setor apontam que o estado registrou um crescimento de 18% no número de operações de helicópteros nos últimos dois anos, enquanto moradores da região afirmam conviver diariamente com o constante sobrevoo das aeronaves.
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), com base em dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), o número de pousos e decolagens de helicópteros no estado passou de 182 mil em 2023 para 215 mil em 2025. No mesmo período, a frota em condições de voo também aumentou, saltando de 247 para 319 aeronaves, uma alta de 29%.
No Recreio dos Bandeirantes, bairro que abriga uma das maiores concentrações de infraestrutura aérea voltada para helicópteros no estado, o crescimento já é percebido pelos moradores. A dona de casa Laiane Souza afirmou que o barulho das aeronaves se tornou parte da rotina.
“É o dia inteiro. Não tem horário”, relatou.
O empresário Uelton de Oliveira Braga, morador da região há duas décadas, também observou uma mudança no padrão de circulação das aeronaves. “Antes o movimento era mais concentrado pela manhã. Hoje acontece durante todo o dia”, afirmou.
Já a dentista Scheila Lubb lembra que os moradores chegaram a se mobilizar por causa do ruído provocado pelos sobrevoos. “Eu não conseguia conversar na varanda de casa por causa do barulho. Depois das reclamações, eles passaram a voar um pouco mais alto”, contou.
Segurança e investigação
Apesar da preocupação gerada pelo acidente do último domingo, especialistas ressaltam que ocorrências desse tipo são consideradas raras. As operações seguem rotas específicas e corredores visuais definidos para garantir a segurança da navegação aérea.
Segundo a Abag, os helicópteros utilizam trajetos previamente estabelecidos, comparáveis a vias de circulação no espaço aéreo, o que reduz significativamente os riscos de colisões.
As causas do acidente que matou seis pessoas ainda são investigadas pelas autoridades aeronáuticas. Entre as vítimas estão o cantor norte-americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspi.
Concentração de estruturas aéreas
A localização estratégica do Recreio ajuda a explicar o intenso fluxo de helicópteros. Além do Aeroporto de Jacarepaguá, a região concentra importantes estruturas de apoio à aviação, como o Clube da Aeronáutica, a base da HeliRio, o Clube Céu, em Guaratiba, e o Helicentro de Guaratiba.
Atualmente, o Rio de Janeiro possui 23 empresas de táxi aéreo certificadas, ocupando a segunda posição nacional em número de empresas e de aeronaves do segmento, atrás apenas de São Paulo.
De acordo com a Abag, o crescimento acompanha uma tendência observada em todo o país, mas tem características próprias no estado. Segundo o diretor técnico do orgão, Raul Marinho, a expansão está diretamente ligada às operações offshore voltadas à indústria do petróleo.
“A movimentação vem crescendo em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, esse aumento é impulsionado principalmente pelas operações ligadas à exploração de petróleo na Bacia de Campos”, explicou.
Com informações do g1.
Fonte do Conteudo: Mariana Motta – diariodorio.com