
Assistir Maria Bethânia no palco é testemunhar um rito. Em comemoração aos 60 anos de carreira, a artista transforma o espetáculo em uma travessia que passa pelo mar, pela floresta e pelo sertão, unindo poesia, ancestralidade e força cênica.
Apresentado pela Elo, o show estreou no Rio de Janeiro, no Vivo Rio, neste dia 06 e segue por 07, 13, 14, 20 e 21 de setembro. Fui cobrir o espetáculo a convite da Nobre Assessoria. O repertório reuniu pérolas de diferentes épocas e compositores, de “Cheiro de Amor” a “Sussuarana”, de “Rainha do Mar” a “Fé Cega, Faca Amolada”, criando uma costura que é também um retrato da música popular brasileira.
Cada canção na voz de Maria Bethânia surgia como um capítulo…
Lírica em “Canções e Momentos”, visceral em “Podres Poderes”, intimista em “O Lado Quente do Ser”, grandiosa em “Tocando em Frente”, que provocou uma comoção coletiva.

Bethânia mostrou por que é muito mais que cantora: é intérprete, atriz, sacerdotisa da palavra. Com gestos, silêncios e olhares, ergueu um espetáculo que foi além da música, evocando ancestralidade e resistência. A banda, afiada, sob a batuta do maestro Jorge Helder amplia o clima de celebração. A artista ainda intercala fragmentos de textos, de Davi Kopenawa a Clarice Lispector.
O show é tecnicamente redondo e tem um fechamento apoteótico com “Reconvexo”, que fez o público se levantar em coro, num clímax que reafirma a potência atemporal de Maria Bethânia. Mais do que um show, foi um encontro com a essência da arte dessa nossa cantora. Patrimônio brasileiro.
Fonte do Conteudo: Alvaro Tallarico – diariodorio.com
