Segmento cresce na política e será decisivo no cenário presidencial brasileiro
Por Denise Miranda
Com quase 47,5 milhões de brasileiros e presença crescente na política nacional, a população evangélica entra na disputa presidencial de 2026 como um dos grupos mais concorridos pelos candidatos.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, essa parcela dos brasileiros representa 26,9% da população e forma o segundo maior grupo religioso do país. A dúvida que mobiliza partidos, lideranças e estrategistas é se esse contingente será capaz de definir sozinho o resultado da eleição ou se continuará sendo uma peça importante dentro de uma coalizão eleitoral mais ampla.
O avanço demográfico foi acompanhado pela expansão da representação evangélica no Congresso Nacional e pela aproximação de lideranças religiosas de projetos políticos conservadores, especialmente a partir da eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Temas ligados à família, costumes, educação e liberdade religiosa passaram a ocupar espaço central no debate público, ampliando a influência de igrejas e pastores sobre pautas que extrapolam o ambiente religioso.
Para o cientista político André César Pereira, o peso eleitoral dos evangélicos é inquestionável, mas não deve ser superdimensionado. “Definir uma eleição é complicado, mas eles dão rumos importantes para a disputa”, afirma.
Segundo ele, embora pesquisas indiquem predominância de posições conservadoras entre os evangélicos, o segmento está longe de formar um bloco homogêneo. Há diferenças entre denominações, lideranças e correntes teológicas, além de disputas internas que podem influenciar o comportamento eleitoral ao longo da campanha.
As pesquisas mais recentes demonstram a relevância desse eleitorado. Levantamento da AtlasIntel divulgado em maio mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 58,6% das intenções de voto entre evangélicos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou 23,7%. Os números reforçam a vantagem do campo conservador dentro desse segmento e ajudam a explicar a atenção dedicada pelos pré-candidatos às lideranças religiosas.
André César avalia que uma eventual participação mais ativa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro poderá fortalecer ainda mais a conexão entre o campo conservador e parte desse eleitorado.
Ao mesmo tempo, observa que Lula busca construir pontes com igrejas e lideranças religiosas para reduzir resistências e ampliar sua presença junto ao segmento. A disputa pelos evangélicos, portanto, já ocupa posição estratégica no tabuleiro eleitoral.
Outro aspecto apontado pelo cientista político é o papel social desempenhado pelas igrejas, especialmente nas periferias urbanas. Em regiões onde o Estado encontra dificuldades para oferecer assistência e serviços públicos, muitas congregações atuam como redes de apoio comunitário, acolhendo famílias em situação de vulnerabilidade e oferecendo suporte material e emocional.
Essa presença cotidiana ajuda a explicar por que a influência política dos evangélicos vai além do peso numérico e alcança a formação de narrativas, valores e comportamentos eleitorais.
Mais do que decidir sozinhos uma eleição, os evangélicos tendem a ocupar posição central na definição dos rumos da disputa presidencial.
Em um cenário de forte polarização e competição acirrada, qualquer candidato com reais chances de chegar ao Palácio do Planalto precisará dialogar com esse segmento.
“Os números indicam que a eleição de 2026 dificilmente será definida apenas pelos evangélicos, mas dificilmente será vencida sem eles”, concluiu André César.
Fonte do Conteudo: Joviana Venturini – esbrasil.com.br