Opinião: Um certo advogado: quando o serviço público está em boas mãos | Jornal Espírito Santo Notícias

Nesta primeira quinzena de agosto, como de costume, houve mais um encontro do Grupo de Pesquisa “Teoria Crítica do Constitucionalismo”, coordenado pelo Professor Dr. Nelson Camatta Moreira, que integra a estrutura do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da Faculdade de Direito de Vitória, hoje sob a coordenação zelosa da Professora Dra. Elda de Azevedo Coelho Bussinguer.

Dentre as discussões, o ponto que mais marcou — especialmente neste 11 de agosto — foi uma das colocações de um certo pós-doutorando: um servidor público de carreira, um advogado público.

Este 11 de agosto não pode passar como os anteriores. A compreensão da advocacia — e, neste caso, da advocacia pública — precisa de mais espaço nas nossas reflexões, sobretudo porque é feita por mulheres e homens, servidores e servidoras da res publica.

Depois desse encontro, li atentamente a tese de doutoramento desse servidor, cujo título é: “Estado de emergência na saúde pública e intervenção estatal na vida privada: para além da invasão e da revolta”, defendida nos idos de 2016, sob orientação do mesmo Professor Dr. Nelson.

Quis o destino que esse trabalho, durante a maior emergência sanitária do último século, desse sustentação jurídica às ações do Governo do Estado para o enfrentamento da pandemia de SARS-CoV-2.

Um advogado público, servidor de carreira do Estado, doutorando e, naquele início de pandemia, Procurador-Geral do Estado do Espírito Santo: o Professor Dr. Rodrigo Francisco de Paula — o servidor certo, com o professor certo, no lugar certo.

Esse caso ficou (e ficará) marcado em mim, também servidor público. Isso porque servir é ato de coragem, de amor e de fé. Coragem e amor para tomar decisões, segurar o rojão sem reclamar e fé para acreditar que as decisões estão voltadas para o bem.

A advocacia pública (assim como a privada) merece e precisa de servidores preparados, corajosos, cheios de fé e de amor, para enfrentar o desconhecido e tornar o serviço público preparado, pronto e a postos para o que der e vier.

Foram dias sombrios, dias cinzentos, dias tristes. Mas é nos dias brancos que surgem aqueles que estão prontos para o que der e vier.

O dia branco não deve passar em branco aos olhos de advogados comprometidos e preparados, de servidores que se ocupam e se preocupam com a vida das pessoas.

Quando vejo uma tese de doutorado defendida por um servidor capixaba, produzida sob orientação de um grande pesquisador capixaba, numa instituição de ensino também capixaba, o coração se aquece, porque vem a certeza de que muitos Nelsons e Rodrigos estão nas academias, na advocacia, no serviço público, preparando-se — e preparando outros — para o que der e vier: é só olhar ao redor.

Há poucas certezas e muitas dúvidas quando a tese do Professor Rodrigo é posta ao lado de um dos questionamentos de Giorgio Agamben, em Homo Sacer, sobre o conceito de “vida indigna de ser vivida”: haverá vidas humanas que perderam tanto seu valor jurídico que continuar vivendo não teria valor nem para a própria pessoa nem para a sociedade?

Pois é isso: àqueles e àquelas que servem à sociedade — preparando-se, preparando e formando pessoas para o bem, servindo a um propósito que dignifica não apenas a própria vida, mas a vida das pessoas ao redor — cabem a memória e o reconhecimento.

E, se a expressão lhe soa familiar, é isso mesmo: a canção “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo e Renato Rocha, embora traga dias de possibilidades aos casais, aqui representa a vontade da advocacia de caminhar — no sol ou na chuva, nos dias cinzentos ou brancos — para um começo, ou recomeço.

Advogadas e advogados: preparemo-nos para o que der e vier!

Um 11 de agosto cheio de reflexões!

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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