
Um retrato inédito da profissão de cabeleireiro no Brasil, divulgado neste mês, revela a força de uma categoria essencial para a economia e a autoestima nacional, que ainda busca superar estereótipos e desigualdades. O estudo “Na raiz do PRO”, encomendado pela Divisão de Produtos Profissionais do Grupo L’Oréal à consultoria Provokers, traça o perfil socioeconômico dos profissionais e os anseios de um setor que movimenta mais de R$ 130 bilhões anualmente.
A pesquisa, realizada em duas etapas com entrevistas em profundidade e mais de 1.000 questionários quantitativos em 400 cidades, aponta que 87% dos profissionais desejam permanecer na carreira, impulsionados pela satisfação de transformar vidas e pela autonomia. No entanto, 56% deles percebem que a sociedade ainda vê a profissão como uma escolha fácil, um contraste com os 74% que buscaram capacitação antes de ingressar no mercado.
Diversidade e Disparidades
O salão de beleza se consolida como um espaço de acolhimento e inclusão. O perfil do cabeleireiro brasileiro é majoritariamente feminino (62%), preto ou pardo (52%) e oriundo de periferias. A categoria também concentra 15% de profissionais LGBTQIAP+, um índice 2,5 vezes superior à média da população geral.
Apesar da diversidade, o levantamento expõe disparidades salariais estruturais: homens ganham, em média, 19% a mais que mulheres; profissionais brancos têm renda 21% superior à de negros; e heterossexuais recebem 23% a mais que homossexuais.
“Ser cabeleireiro é uma escolha que exige estudo, técnica e talento, e precisa ser vista com o respeito que merece. Não existe talento sem preparo”, afirma Joana Fleury, Diretora da Divisão L’Oréal Produtos Profissionais no Brasil.
Educação e Regulamentação
Com mais de 1,3 milhão de Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos, a profissão carece de regulamentação formal, não existindo cursos de nível técnico ou superior específicos. Essa lacuna transfere às empresas do setor a responsabilidade pela formação. A pesquisa indica que 69% dos profissionais esperam que as companhias ofereçam treinamentos.
“Formação é a base da valorização de qualquer profissão. Espero que este diagnóstico sirva de base para políticas que fortaleçam a categoria”, comenta Debora Maciqueira, Diretora de Educação da divisão.
Compromissos Setoriais
Com base nas conclusões do estudo, a L’Oréal Produtos Profissionais anunciou compromissos públicos para o desenvolvimento do setor. Entre as metas estão a ampliação do programa de educação gratuita Geração PRO, para atingir 5 mil pessoas até 2028, e a criação de uma grande campanha anual na mídia para enaltecer a profissão. A empresa também se comprometeu a eleger mais uma embaixadora mulher em 2026 e a aumentar em 35% a presença de pessoas pretas e pardas em seu grupo de artistas embaixadores.
“Este é um convite à sociedade e à indústria para enxergar nossa categoria como ela merece: uma força criativa, econômica e social sem a qual o Brasil não seria o mesmo”, finaliza Vivi Siqueira, cabeleireira e embaixadora da L’Oréal Professionnel, citada na pesquisa como a única mulher entre os 10 maiores cabeleireiros do país.
Fonte do Conteudo: Renata Granchi – diariodorio.com