Uma combinação de dois medicamentos em spray nasal pode ajudar a aliviar a obstrução persistente do nariz sem provocar o chamado efeito rebote, quando a congestão retorna após o uso prolongado de descongestionantes. A estratégia foi testada em um ensaio clínico com 60 adultos que tinham o problema em formato crônico e não haviam obtido melhora com sprays convencionais à base de corticoides.
A fórmula reúne oximetazolina, um descongestionante que age contraindo os vasos sanguíneos do revestimento nasal, e budesonida, um corticosteroide que atua na inflamação. Os resultados foram publicados em 29 de outubro na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery.
Após quatro semanas de tratamento, 83% dos participantes que receberam a combinação relataram pelo menos uma melhora moderada dos sintomas. No grupo que utilizou apenas budesonida, o índice foi de 36%. Além disso, nenhum paciente que usou os dois medicamentos apresentou piora da obstrução nasal durante o período.
Como funciona a combinação dos medicamentos
- A oximetazolina é um descongestionante nasal que age contraindo os vasos sanguíneos presentes no revestimento interno do nariz. Com a redução do inchaço nessa região, o espaço para a passagem do ar aumenta e a respiração fica mais fácil.
- O problema aparece quando o medicamento é usado por períodos prolongados. A utilização excessiva pode provocar uma nova obstrução nasal, acompanhada de inchaço e irritação da mucosa. A condição é conhecida como rinite medicamentosa ou congestão de rebote.
- Com o retorno dos sintomas, algumas pessoas passam a usar o descongestionante com mais frequência ou aumentam a quantidade aplicada para conseguir respirar melhor. Esse comportamento pode manter o ciclo de obstrução e uso do medicamento.
- A budesonida, por sua vez, é um corticosteroide que reduz a inflamação nas vias nasais. Estudos anteriores já indicavam que a associação de um corticoide ao descongestionante poderia ajudar a evitar o efeito rebote.
O que mostrou o estudo?
Para avaliar a combinação, os pesquisadores recrutaram 60 adultos com obstrução nasal crônica que não haviam respondido bem ao tratamento convencional com sprays de corticoide.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um recebeu a combinação de oximetazolina e budesonida, enquanto o outro utilizou apenas budesonida. Os medicamentos foram aplicados duas vezes ao dia durante quatro semanas.
Depois desse período, os pesquisadores reduziram gradualmente a quantidade de oximetazolina durante outras duas semanas. Na sétima semana, os participantes já não utilizavam o descongestionante. A etapa permitiu avaliar se a retirada do medicamento provocaria o retorno da obstrução nasal.
Os resultados apontaram uma redução maior dos sintomas entre os participantes que utilizaram a combinação. Após duas semanas, os índices de obstrução nasal caíram 69% nesse grupo, em comparação com 41% entre aqueles que receberam apenas budesonida.
Na quarta semana, a diferença aumentou. A redução dos índices de congestão chegou a 76% no grupo que utilizou os dois medicamentos, enquanto no grupo tratado somente com budesonida foi de 46%.
Durante a redução gradual da dose e também na semana seguinte à suspensão completa da oximetazolina, os pesquisadores não identificaram piora significativa da obstrução nasal. Entre os pacientes que apresentavam os sintomas bem controlados, 75% mantiveram a melhora durante toda a semana sem o descongestionante.
Resultado ainda precisa ser confirmado
Os resultados indicam que a combinação de oximetazolina e budesonida pode ser uma alternativa para pessoas com obstrução nasal persistente que não respondem bem ao tratamento convencional com corticoides.
No entanto, o estudo foi realizado com apenas 60 participantes e acompanhou os pacientes durante sete semanas. Por isso, ainda não é possível afirmar que a combinação evita a congestão de rebote em tratamentos prolongados.
Os próprios resultados apontam a necessidade de pesquisas com períodos maiores de acompanhamento para avaliar a segurança e a eficácia da estratégia a longo prazo.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com