
No Rio de Janeiro, a rede de hospedagem por temporada ligada ao Airbnb tem cada vez mais rosto de morador comum. Segundo dados divulgados pela plataforma com base em 2025, 55% dos anfitriões cariocas são mulheres, quase 30% são aposentados e mais de 70% afirmam que hospedar não é sua principal ocupação. O retrato aparece num momento em que a cidade entra em contagem regressiva para mais um período de alta procura, puxado pelo show de Shakira em Copacabana, marcado para 2 de maio.
A leitura do Airbnb é que o aluguel por temporada virou, para muita gente, uma fonte relevante de renda complementar. De acordo com a própria plataforma, mais de 60% dos anfitriões do Rio disseram que o dinheiro obtido os ajudou a continuar morando em suas casas. Metade afirmou usar essa renda para pagar contas, e quase 35% disseram que ela ajuda a enfrentar o aumento do custo de vida.
Em uma cidade moldada por grandes eventos, esse movimento ganha peso extra. Ainda segundo os dados da empresa, mais de 50% dos anfitriões do Rio disseram ter recebido hóspedes para eventos na região onde vivem ao longo de 2025. A plataforma tenta mostrar, com isso, que a hospedagem distribuída em imóveis residenciais passou a funcionar como apoio direto à capacidade de receber visitantes em momentos de demanda elevada.
O impacto, diz a empresa, também se espalha pelos bairros. Quase 75% dos anfitriões afirmaram ter contratado serviços de limpeza para preparar os imóveis, e mais de 50% disseram recorrer a profissionais como eletricistas, encanadores e outros prestadores locais. Entre os que costumam orientar visitantes, quase 90% disseram recomendar comércios, serviços e atrações no entorno da hospedagem. A tese da plataforma é que esse fluxo ajuda a distribuir renda para além dos cartões-postais mais óbvios.
Às vésperas do novo megashow em Copacabana, esse movimento volta a ganhar escala. Em março, a Embratur informou que 8.477 passagens aéreas internacionais já tinham sido reservadas para a semana da apresentação de Shakira, entre 26 de abril e 2 de maio, com destaque para visitantes da Argentina, dos Estados Unidos e de países da Europa. O dado reforça a expectativa de mais pressão sobre a rede de hospedagem da cidade, tanto a tradicional quanto a por temporada.
A plataforma também apresentou histórias de anfitriões para ilustrar esse cenário. Um dos casos citados é o de Márcia Beserra, anfitriã na Zona Sul e advogada, que encontrou na hospedagem uma forma de renda extra e divide com a filha a rotina de preparação para receber visitantes. “Quando a cidade fica mais cheia, eu faço questão de alinhar regras, checar as orientações do prédio e deixar tudo claro para o hóspede. Isso ajuda muito a convivência e evita problemas”, afirmou.
Para Fiamma Zarife, diretora-geral do Airbnb na América do Sul, o fenômeno reflete uma mudança mais ampla na forma como o turismo acontece no Rio. “O Rio tem uma capacidade única de receber pessoas, e isso passa cada vez mais pelas casas dos moradores. Para quem viaja, é a chance de viver a cidade de forma mais próxima. Para quem recebe, é uma forma de gerar renda e participar desse movimento”, disse. A executiva também afirmou que, em períodos de maior circulação, a experiência depende de respeito à rotina dos bairros e das áreas residenciais.
Os números divulgados pela empresa ajudam a mostrar como o turismo no Rio de Janeiro vem se apoiando, cada vez mais, na estrutura doméstica da cidade. Mulheres, aposentados e anfitriões que não vivem exclusivamente disso passaram a ocupar papel relevante nessa engrenagem. E, quando a cidade enche, é justamente esse tipo de hospedagem espalhada pelos bairros que entra em campo para absorver parte da demanda.
Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com