O delegado da Polícia Civil de Goiás (PCGO) Christian Zilmon, titular de Cocalzinho (GO), voltou a se manifestar, nesse domingo (19/4), após a polêmica envolvendo a prisão da advogada Áricka Cunha dentro do próprio escritório, sob a acusação de difamação contra ele. Em vídeo, ele comentou a decisão judicial que o impediu de atuar no caso em causa própria e negou ter sofrido qualquer tipo de afastamento: “Não estou afastado da Polícia Civil”.
Veja o novo relato:
O juiz Samuel João Martins, em atuação no plantão criminal da Macrorregião 2, determinou que o delegado da PCGO não poderá atuar nos quais figure como suposta vítima em procedimentos envolvendo a advogada . Eventuais casos de difamação serão conduzidos por meio do acionamento da Polícia Militar ou da Polícia Civil, com encaminhamento a um delegado responsável.
A decisão liminar foi concedida na madrugada de domingo atendendo parcialmente ao pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás (OAB-GO).
“Fica parecendo uma questão pessoal. O juiz muito sensato falou que é para acionar a Polícia Militar ou a Polícia Civil e aí conduzir ao delegado. Só isso que mudou. Não vai ser eu, vai ser outro”, disse.
O delegado também explicou que isso não afeta o seu cargo na polícia. “Não estou afastado de caso nenhum, não estou afastado de Cocalzinho, não estou afastado da Polícia Civil, não estou afastado para nada”.
Segundo o delegado, a prisão da advogada foi motivada por difamação, injúria, desobediência, além de outros crimes registrados no momento da abordagem. De acordo com ele, a advogada publicou, nas redes sociais, críticas relacionadas a um procedimento administrativo da polícia. Para ele, a postagem ultrapassou o limite da manifestação e atingiu sua honra pessoal.
Procurada, a Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado à Gerência de Correições e Disciplina da PCGO, que já iniciou os procedimentos para apuração rigorosa dos fatos.
Mais detalhes:
- O episódio ocorreu na quarta-feira (15/4), em Pirenópolis (GO), e foi registrado em vídeo.
- A advogada, que chegou a ser algemada durante a ação, já foi liberada.
- Nas redes sociais, Áricka Cunha afirmou que “as medidas cabíveis estão sendo tomadas” e criticou duramente o ocorrido.
- Segundo a advogada, a prisão ocorreu após ela divulgar que uma denúncia dela de difamação havia sido arquivada. “Se isso acontece comigo, advogada, dentro do meu espaço de trabalho, imagine com quem não tem voz. Eu não vou me calar”, disse.
“Prisão arbitrária”
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás (OAB-GO) reagiu e classificou a prisão como “arbitrária”, solicitando a imediata abertura de procedimento contra o delegado. Segundo a entidade, houve violação grave das prerrogativas da advocacia. “O delegado invadiu o escritório da advogada para efetuar sua prisão por suposta difamação em redes sociais. A condução foi coercitiva e ela foi algemada”, destacou a nota.
O presidente do Sistema de Defesa das Prerrogativas, Alexandre Carlos Magno, reforçou que a medida desrespeita garantias legais fundamentais. “O escritório de advocacia é inviolável. Advogado só pode ser preso em flagrante, no exercício da profissão, em caso de crime inafiançável — o que não se aplica ao cenário relatado”, afirmou.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com