A cineasta capixaba Bárbara Marques, natural de Vitória, está detida nos Estados Unidos desde 16 de setembro e pode ser deportada ainda nesta quarta-feira (1º). O caso ganhou repercussão internacional por envolver acusações de “tratamento desumano” e supostas irregularidades no processo de imigração.
Bárbara foi levada pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE), o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, após comparecer a uma audiência para solicitação do green card, que garante residência permanente no país. Segundo o marido de Bárbara, o cineasta americano Tucker May, a prisão ocorreu imediatamente após um encontro com agentes de imigração em Los Angeles, mesmo com toda a documentação em ordem.
“Ao final de uma reunião que nos disseram ter sido bem-sucedida, o policial usou a desculpa de uma copiadora quebrada para separá-la do nosso advogado. Assim que estava afastada da representação legal, ela foi presa”, relatou Tucker em postagem nas redes sociais.
O motivo formal da detenção seria uma audiencia judicial perdida em 2019, sobre a qual Bárbara afirma nunca ter sido notificada. Desde então, ela foi transferida para o Centro de Detenção de Adelanto, na Califórnia, e posteriormente para Alexandria, na Louisiana, local de onde poderia ser deportada.
Condições de detenção e apelo internacional
De acordo com Tucker May e atualizações compartilhadas pela equipe de Bárbara nas redes sociais, a cineasta enfrenta condições consideradas desumanas:
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Viagem de quase três dias algemada, com longos períodos sem comida ou água e sem sono adequado;
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Negativa de tratamento médico para uma condição crônica nas costas, mesmo com reconhecimento prévio da necessidade por uma unidade administrada pela mesma empresa responsável pelo centro;
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Ausência de cama e infraestrutura mínima de acomodação no centro de detenção da Louisiana.
“Ela não tem antecedentes criminais, mas está sendo submetida a um tratamento que seria inaceitável mesmo para criminosos condenados”, afirmou Tucker em comunicado recente.
A situação mobilizou apoiadores nos EUA e no Brasil. Foi criada uma campanha no GoFundMe para custear despesas legais e pressionar autoridades americanas a reverem o caso. As redes sociais também têm sido usadas para incentivar cidadãos a contatar representantes políticos da Califórnia e da Louisiana, solicitando a suspensão da deportação até a conclusão do julgamento.
Quem é Bárbara Marques
Bárbara Marques iniciou a carreira como atriz na peça “O Santo e a Porca”, de Adriano Suassuna, e depois se especializou em teatro e cinema no Rio de Janeiro. Na sequência, mudou-se para Los Angeles, onde aprofundou suas produções cinematográficas. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os curta-metragens:
Casada desde abril de 2025 com Tucker May, a cineasta buscava formalizar sua residência nos EUA quando foi detida. O caso já despertou atenção de órgãos de direitos humanos no Brasil, incluindo a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, que enviou ofício ao Itamaraty solicitando apoio e acompanhamento da situação.
Próximos passos legais
Na última audiência judicial, a moção para manter Bárbara nos EUA foi negada sem prejuízo, o que significa que o caso ainda pode ser contestado, mas que a deportação poderia ocorrer imediatamente. Segundo o advogado da cineasta, o ICE estaria se movimentando rapidamente para efetivar a saída do país, mesmo diante de decisões judiciais favoráveis à reabertura do processo.
Tucker May reforça que, enquanto o julgamento estiver em andamento, a deportação seria ilegal, e conclama cidadãos e autoridades a pressionarem para que Bárbara tenha um processo justo e acesso adequado à defesa.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br