
No segundo semestre deste ano, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) vistoriou três maternidades municipais da capital fluminense, todas situadas na Zona Norte, e constatou pontos críticos, sendo o principal uma gravíssima falta de recursos humanos.
Devido à urgência da situação, o Cremerj oficiou, esta semana, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio e enviou os relatórios ao Ministério Público do Estado (MPRJ).
Em julho deste ano, o Cremerj realizou vistoria no Hospital Maternidade Municipal Herculano Pinheiro, em Madureira, após denúncias de falta de pediatras. Durante a fiscalização, constatou-se que plantões críticos da UTI neonatal e da sala de parto estavam com o número de profissionais insuficiente, sem cobertura adequada para a rotina diária.
Já o Hospital Maternidade Alexander Fleming, em Marechal Hermes, vistoriado pelo Cremerj em agosto deste ano, também apresentou problemas com a falta de profissionais. O relatório de fiscalização aponta graves falhas de recursos humanos, como a ausência de obstetras, anestesiologistas e pediatras em escalas essenciais.
Por fim, no último mês de setembro, representantes do Cremerj estiveram no Hospital Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão. Por lá, a falta de recursos humanos também foi considerada crítica. De acordo com o Conselho, não há cobertura da equipe de anestesiologia, sobretudo nos plantões noturnos após a saída de profissionais em agosto, causando insuficiência nas escalas.
As vistorias também demonstraram que as maternidades Herculano Pinheiro e Alexander Fleming não possuem direção técnica registrada no Cremerj, o que configura uma irregularidade grave, uma vez que nenhum estabelecimento de assistência médica pode funcionar sem ter um médico registrado no Conselho Regional de Medicina como diretor-técnico.
Mediante os fatos, as três unidades foram formalmente notificadas pelo Cremerj, que aguarda a manifestação dos gestores responsáveis. Os relatórios de fiscalização foram enviados ao MPRJ para conhecimento e medidas cabíveis.
”O Cremerj fiscalizou três maternidades municipais de julho a setembro e constatou falta de recursos humanos em todas elas. Isso compromete a assistência das pacientes que buscam essas unidades de saúde. Além das graves falhas de ausência de profissionais, não há responsável técnico nesses estabelecimentos, o que é obrigatório. Essas questões já foram comunicadas ao Ministério Público e à Secretaria Municipal de Saúde do Rio. O Conselho aguarda as providências e continuará acompanhando o caso”, afirma o presidente da autarquia, Guilherme Nadais.
Fonte do Conteudo: Raphael Fernandes – diariodorio.com